Porque vai dar Rio de Janeiro 2016?
Não é nacionalismo, patriotismo, muito menos otimismo. O Rio de Janeiro é favoritíssimo a ganhar a disputa contra Madrid, Chicago e Tóquio na disputa pelos Jogos Olímpicos 2016. Os estadunidenses jogam pesado e sujo, como sempre fizeram, e até por isso têm alguma chance. Espanhóis e japoneses, entretanto, vêem suas candidaturas perderem brilho diante da guerra Rio x Chicago que já tomou conta do noticiário internacional.
A prova cabal do poder carioca é a forma desesperada com que os representantes do Tio Sam têm atacado o Brasil. A economia mais poderosa do planeta também é a mais influente e com certeza, nos ostentadores salões da Casa Branca, já sabem do perigo que correm. A imprensa deles tem publicado sucessivas matérias sobre violência no Brasil e até um famoso seriado de TV fez um episódio no qual determinado representante do COI fora assassinado por um brasileiro a fim de não atrapalhar a candidatura do Rio. Bizarro!
Se Lula foi um verdadeiro “Didi Mocó” em sua política internacional envolvendo os casos: Honduras, Evo Morales x Petrobrás e Rafael Correa x Odebrecht. O mesmo não se pode dizer do lobby feito em prol do Rio de Janeiro. Desde 2006 o presidente colocou a candidatura do país a sede da Copa do Mundo de futebol 2014 e Olimpíadas 2016 como primordial em sua agenda.
Nos jogos Pan-americanos, o Brasil tentou conseguir o maior número de votos possíveis para sua candidatura olímpica. Em Pequim, 2008, Lula conversou diretamente com o mandatário chinês bem como outros representantes de países diversos. Entre as nações da América Latina e da África, o governo brasileiro crê em uma vitória esmagadora do Rio de Janeiro, até pelo discurso apresentado na Cúpula América do Sul – África, realizada semana passada na Venezuela. Basta lembrar ainda que os representantes brasileiros foram cabos eleitorais da campanha da África do Sul para receber a Copa de 2010.
Outro ponto-chave a favor da capital fluminense é a crise mundial. Segundo vários analistas, o Brasil foi um dos países que menos sofreu com o pandemônio financeiro e os brasileiros saíram fortalecidos da tormenta. Fica claro que há uma nova ordem mundial em curso. Ou os países ricos começam a dividir suas responsabilidades – e consequentemente seus poderes – com os países emergentes, ou a máquina capitalista tende a emperrar. Sob essa ótica, é compreensível porque a Austrália “tirou” da Grécia a tradição de sediar os jogos a cada 100 anos (2000 seria em Atenas e não em Sydney) e Pequim ter vencido em 2008, com alguma margem de folga.
A escolha dos jogos de 2012 voltou para a Inglaterra, mas com muito “aperto”, contrário do que ocorreu na escolha de 2008. Londres precisou de quatro turnos para vencer sua principal concorrente: Paris. Madrid, Moscou e Nova Iorque também estavam na disputa mas desde o início a imprensa as colocavam como coadjuvante, tal qual fazem agora com Tóquio e novamente a capital espanhola. Ou seja o falatório antes da votação tem sim, algum fundamento.
Para 2020, especula-se que cidades de países emergentes devem ser maioria entre as candidatas, pela primeira vez na história. Entre elas estariam Déli (Índia), Kuala Lumpur (Malásia), Manila (Filipinas), Monterrey (México) e Cidade do Cabo (África do Sul).
Para que duvida da força brasileira nessa competição tão acirrada, eis alguns pontos importantíssimos.
- Desde 1948, quando as Olimpíadas foram realizadas em Londres, Inglaterra, e posteriormente em 1952, realizadas em Helsinque, na Finlândia, os jogos não são sediados duas vezes seguidas no mesmo continente. Logo, a candidatura de Madrid perde fôlego, pois Londres será a sede em 2012.
- A Ásia nunca foi sede de duas edições dos jogos em um curto espaço de tempo como seria 2008 (China) – 2016 (Japão) e para 2020 deve apresentar pelo menos três cidades-candidatas.
- A América do Sul nunca realizou as Olimpíadas e a América Latina foi sede apenas uma vez: em 1968 na Cidade do México.
- O Brasil é o único país entre as oito maiores economias do mundo que não teve a honra de receber os jogos olímpicos.
