Bola no chão (São Paulo 3 x 1 Goiás)
Por Cesar Candido dos Santos
Os gritos de “é Muricy” já não são mais ouvidos nas arquibancadas. A bola, que antes insistia em ficar no alto, agora desliza de pé em pé no gramado do Morumbi. E assim começa a surgir um novo São Paulo, com um estilo de jogo muito diferente daquele que conquistou o tricampeonato, mas com a força de sempre para brigar pelo título brasileiro.
Hernanes, Jean, Richarlyson, Miranda, André Dias e Borges são os mesmos, e voltaram a jogar bem. Dagoberto está melhor do que antes. Mas o que mais mudou foi Jorge Wagner. O camisa 7 não é mais aquele ala incumbido de alçar a bola da intermediária em direção a grande área. Ele agora é o meia que há tanto tempo se procurava no Morumbi, e estava lá o tempo todo.
Inteligente e com passes precisos, Jorge Wagner assumiu a criação da equipe. Busca jogo, põe a bola no chão e a distribui para os companheiros. Aos poucos, o Tricolor deixa de ser um time que pratica o futebol inglês dos anos 90 e volta a jogar o futebol do São Paulo de 1991, 1992, 1993, 1998, 2000, 2005…
Talvez, quem viu apenas os gols do duelo com o Goiás possa dizer que tudo parece continuar a mesma coisa, pois duas bolas foram parar no fundo das redes esmeraldinas depois de serem desviadas de cabeça. Porém, o placar de 3 a 1 é enganoso. O jogo poderia facilmente ter terminado 6 a 1 se três chutes não ficassem no travessão.
Diante de um adversário que se limitou a defender no primeiro tempo, o São Paulo teve paciência. Tocou a bola, cadenciou e acelerou o ritmo quando necessário, criou alternativas e soube abrir espaços na retranca do rival, sem chuveirinho. Ainda é cedo para dizer que o time de Ricardo Gomes será campeão brasileiro, mas está na briga, e o que melhor, com um futebol que dá gosto de ver.
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