Não importa se foram três. Poderiam ter sido cinco ou sete ou até uma o total de medalhas de ouro.
Avaliar o desempenho do Brasil pelo total de medalhas de ouro ou mesmo pelo total de medalhas conquistadas é interessante, é bom, mas não é o ponto principal da questão.
Primeiro porque as pratas e os bronzes que conquistamos por pequenos detalhes muitas vezes deixou de ser ouro. E se tivéssemos ganhado o ouro do Diego, das meninas do futebol e do vôlei de praia e de quadra masculino? Teríamos sete ouros e o que isso mudaria na nossa história? Nada. Só daríamos mais argumentos para que pessoas como o presidente do COB, Sr. Carlos Alberto Nuzman dizer que precisa de ainda mais dinheiro do que o que já recebeu. E daríamos mais corda para os imbecis que ainda apóiam uma Olimpíadas aqui com o falso argumento de que esta seria a chance de termos condições de melhorar nosso desempenho.
Mentira!!!
Por dois motivos:
Primeiro: Não é ter aqui ou não uma Olimpíadas que irá mudar a forma como se “faz” atletas. Para sermos uma nação olímpica temos que investir no esporte de base, na formação do esportista e não gastar 1,2 bilhões em treinamentos que não levam a lugar nenhum.
Segunda: Investir no esporte não é investir em ganhar medalhas. Se Nuzman acha que precisamos investir no esporte para simplesmente ganhar medalhas, já começamos tudo com o pé errado. Precisamos investir no esporte para formar cidadãos. Precisamos investir no esporte por questões de cidadania.
Estive ano passado, num evento no SESC sobre Marketing Esportivo e uma das palestrantes era Magic Paula, Coordenadora do Centro Olímpico – aqui de São Paulo, quando levantaram a questão a respeito da formação de atletas. Após uma série de argumentações coloquei em pauta a seguinte questão: O Governo, seja ele federal, estadual ou municipal, deve formar atletas olímpicos ou jovens capazes de ser um cidadão melhor no futuro?
Investimentos em atletas olímpicos devem ser feito em conjunto com a iniciativa privada. Que tem mais capacidade de investir e colher os frutos necessários para tal empreitada.
O estado, em qualquer esfera, deve ter em mente o uso do esporte como meio de inclusão social. Segundo a Organização Mundial da Saúde para cada dólar investido no esporte se economiza três na Saúde. É desta forma que governos devem enxergar o esporte.
Assim como a quantidade de medalhas que ganhamos o lugar que ficamos não muda nada. Ficamos atrás da Jamaica, Ucrânia, Quênia, Etiópia e por isso somos um país pior que eles? E ficamos a frente da Nova Zelândia, Dinamarca, Suíça, Bélgica e muitos e outros e alguém afirma que somos melhores que eles?
O COB tem a chance de mudar sua posição e ajudar a fazer do Brasil um verdadeiro país. Não Olímpico apenas, mas um país igual para todos, com inclusão social, cidadania, esporte e lazer andando juntos. Afinal não é para isso que serve o estado?