O Brasileirão mais fácil ou mais fraco da história?
Aquele discurso que questiona a qualidade do Campeonato Brasileiro ficou tradicional entre os fanáticos por futebol para justificar tamanha superioridade do clube rival ao longo da temporada e também na tentativa de desmerecer a importante conquista do seu maior adversário.
Em São Paulo essa discussão ficou ainda mais acirrada devido às conquistas nacionais dos principais clubes paulistas nos últimos anos: Santos em 2002 e 2004, Corinthians em 2005 e São Paulo em 2006 e agora 2007. Dos grandes do estado, apenas o Palmeiras, que vive incomodo jejum desde 2000, não entrou na seleta galeria dos campeões.
Tradicionalmente conhecido por todos os lados do mundo como o futebol mais alegre e bonito, o Brasil se transformou no principal exportador de jovens talentos para a Europa. É quase impossível ver uma equipe de sucesso no Velho Continente sem que um brasileiro ocupe posição de destaque no plantel. A qualidade individual dos nossos atletas é tão reverenciada pelos torcedores que virou importante produto de marketing explorado por uma das maiores empresas de material esportivo do planeta.
Fiel às tradições, o Brasil sofreu com a perda do título mundial em 1982 na Espanha, que para muitos até hoje foi a maior equipe de futebol de todos os tempos. O “Joga Bonito” foi deixado de lado em 1994 quando a Seleção Brasileira do técnico Carlos Alberto Parreira assumiu a necessidade de praticar um futebol burocrático e objetivo. O resultado foi positivo e o Brasil saiu dos Estados Unidos com o tetracampeonato. Oito anos mais tarde, com bem mais emoção em campo e muita restrição entre os torcedores, Luiz Felipe Scolari comandou a Amarelinha na conquista do quinto título mundial brasileiro na Copa do Mundo do Japão e Coréia do Sul.
Afinal, o que é importante no futebol? Basta vermos o São Paulo, líder indiscutível e já bicampeão nacional com muitos méritos para esta dúvida aumentar ainda mais. Do atual time do técnico Muricy Ramalho, ao invés de um meio-de-campo de qualidade e um poder ofensivo invejável, o principal destaque do Tricolor está na defesa. Se a média de gols sofridos pela equipe do Morumbi é espantosa, cerca de 0,30 gols por partida apenas, a média de gols feitos é a pior da história do Brasileirão desde os pontos corridos (2003), com apenas 1,53 gols marcado por jogo.
Ao analisar a recente história do torneio, as últimas equipes campeãs nacionais que apontam um desempenho ofensivo pior do que o ataque tricolor atual é o próprio São Paulo, na campanha de 1991, com a média de 1,21 gols por jogo, o Corinthians, de 1990, com a péssima marca 0,92 gols por partida.
Desde 1971, ano da primeira edição oficial do Campeonato Brasileiro, a média de gols marcados do Tricolor nesta temporada é apenas a 26ª entre todas as campanhas vitoriosas, o que evidencia uma inferioridade técnica em relação aos principais rivais do São Paulo na luta pelo título desta temporada.
E para você, o Brasileirão de 2007 foi o mais fácil ou o mais fraco da história? Mande sua opinião.
AS CAMPANHAS:
1971 - Atlético Mineiro
27 jogos, 12 vitórias, 10 empates e 5 derrotas – 39 gols marcados, 22 gols sofridos
1,44 gols marcados por jogo / 0,81 gols sofridos por jogo
1972 – Palmeiras
30 jogos, 16 vitórias, 10 empates e 4 derrotas – 46 gols marcados, 19 gols sofridos
1,53 gols marcados por jogo / 0,63 gols sofridos por jogo
1973 – Palmeiras
40 jogos, 25 vitórias, 12 empates e 3 derrotas – 52 gols marcados, 13 gols sofridos
1,30 gols marcados por jogo / 0,32 gols sofridos por jogo
1974 – Vasco
28 jogos, 12 vitórias, 12 empates e 4 derrotas – 33 gols marcados, 18 gols sofridos
1,17 gols marcados por jogo / 0,64 gols sofridos por jogo
1975 – Internacional
30 jogos, 19 vitórias, 18 empates e 3 derrotas – 51 gols marcados, 12 gols sofridos
1,70 gols marcados por jogo / 0,40 gols sofridos por jogo
1976 – Internacional
23 jogos, 19 vitórias, 1 empate e 3 derrotas – 59 gols marcados, 13 gols sofridos
2,56 gols marcados por jogo / 0,56 gols sofridos por jogo
1977 – São Paulo
21 jogos, 13 vitórias, 4 empates e 4 derrotas – 40 gols marcados, 15 gols sofridos
1,90 gols marcados por jogo / 0,71 gols sofridos por jogo
1978 – Guarani
32 jogos, 20 vitórias. 8 empates e 4 derrotas – 57 gols marcados, 22 gols sofridos
1,78 gols marcados por jogo / 0,68 gols sofridos por jogo
1979 – Internacional
23 jogos, 16 vitórias, 7 empates e 0 derrotas – 40 gols marcados e 13 gols sofridos
1,73 gols marcados por jogo / 0,56 gols sofridos por jogo
1980 – Flamengo
22 jogos, 14 vitórias, 6 empates e 2 derrotas – 46 gols marcados e 20 gols sofridos
2,09 gols marcados por jogo / 0,90 gols sofridos por jogo
1981 – Grêmio
23 jogos, 14 vitórias, 2 empates e 7 derrotas – 32 gols marcados e 21 gols sofridos
1,39 gols marcados por jogo / 0,91 gols sofridos por jogo
1982 – Flamengo
23 jogos, 15 vitórias, 6 empates e 2 derrotas – 48 gols marcados e 27 gols sofridos
2,08 gols marcados por jogo / 1,17 gols sofridos por jogo
1983 – Flamengo
26 jogos, 14 vitórias, 7 empates e 5 derrotas – 57 gols marcados e 30 gols sofridos
2,19 gols marcados por jogo / 1,15 gols sofridos por jogo
1984 – Fluminense
26 jogos, 15 vitórias, 9 empates e 2 derrotas – 37 gols marcados e 13 gols sofridos
1,42 gols marcados por jogo / 0,50 gols sofridos por jogo
1985 - Coritiba
29 jogos, 12 vitórias, 7 empates e 10 derrotas – 25 gols marcados e 27 gols sofridos
0,86 gols marcados por jogo / 0,93 gols sofridos por jogo
1986 – São Paulo
34 jogos, 17 vitórias, 13 empates e 4 derrotas – 62 gols marcados e 22 gols sofridos
1,82 gols marcados por jogo / 0,64 gols sofridos por jogo
1987* – Flamengo (Copa União)
19 jogos, 9 vitórias, 6 empates e 4 derrotas – 22 gols marcados e 15 gols sofridos
1,15 gols marcados por jogo / 0,78 gols marcados por jogo
1987 – Sport Recife
20 jogos, 12 vitórias, 5 empates e 3 derrotas – 29 gols marcados e 13 gols sofridos
1,45 gols marcados por jogo / 0,65 gols sofridos por jogo
1988 – Bahia
29 jogos, 13 vitórias. 11 empates e 5 derrotas – 33 gols marcados e 23 gols sofridos
1,13 gols marcados por jogo / 0,79 gols sofridos por jogo
1989 – Vasco
19 jogos, 9 vitórias, 8 empates e 2 derrotas – 27 gols marcados e 16 gols sofridos
1,42 gols marcados por jogo / 0,84 gols sofridos por jogo
1990 – Corinthians
25 jogos, 12 vitórias, 8 empates e 5 derrotas – 23 gols marcados e 20 gols sofridos
0,92 gols marcados por jogo / 0,80 gols sofridos por jogo
1991 – São Paulo
23 jogos, 12 vitórias, 7 empates e 4 derrotas – 28 gols marcados e 15 gols sofridos
1,21 gols marcados por jogo / 0,65 gols sofrido por jogo
1992 – Flamengo
27 jogos, 12 vitórias, 8 empates e 7 derrotas – 44 gols marcados e 31 gols sofridos
1,62 gols marcados por jogo / 1,14 gols sofridos por jogo
1993 – Palmeiras
22 jogos, 16 vitórias, 4 empates e 2 derrotas – 40 gols marcados e 17 gols sofridos
1,81 gols marcados por jogo / 0,77 gols sofridos por jogo
1994 – Palmeiras
31 jogos, 20 vitórias, 6 empates e 5 derrotas – 58 gols marcados e 30 gols sofridos
1,87 gols marcados por jogo / 0,96 gols sofridos por jogo
1995 – Botafogo
27 jogos, 14 vitórias, 9 empates e 4 derrotas – 46 gols marcados e 25 gols sofridos
1,70 gols marcados por jogo / 0,92 gols sofridos por jogo
1996 – Grêmio
29 jogos, 14 vitórias, 6 empates e 9 derrotas – 52 gols marcados e 34 gols sofridos
1,79 gols marcados por jogo / 1,17 gols sofridos por jogo
1997 – Vasco
33 jogos, 21 vitórias, 7 empates e 5 derrotas – 69 gols marcados e 37 gols sofridos
2,09 gols marcados por jogo / 1,12 gols sofridos por jogo
1998 – Corinthians
32 jogos, 18 vitórias, 7 empates e 7 derrotas – 57 gols marcados e 38 gols sofridos
1,78 gols marcados por jogo / 1,18 gols sofridos por jogo
1999 – Corinthians
29 jogos, 18 vitórias, 5 empates e 6 derrotas – 61 gols marcados e 38 gols sofridos
2,10 gols marcados por jogo / 1,31 gols sofridos por jogo
2000 – Vasco
32 jogos, 15 vitórias, 9 empates e 8 derrotas – 54 gols marcados e 49 gols sofridos
1,68 gols marcados por jogo / 1,53 gols sofridos por jogo
2001 – Atlético Paranaense
31 jogos, 19 vitórias, 6 empates e 6 derrotas – 68 gols marcados e 45 gols sofridos
2,19 gols marcados por jogo / 1,45 gols sofridos por jogo
2002 – Santos
31 jogos, 16 vitórias, 6 empates e 9 derrotas – 59 gols marcados e 41 gols sofridos
1,90 gols marcados por jogo / 1,32 gols sofridos por jogo
2003 – Cruzeiro
46 jogos, 31 vitórias, 7 empates e 8 derrotas – 102 gols marcados e 47 gols sofridos
2,21 gols marcados por jogo / 1,02 gols sofridos por jogo
2004 – Santos
46 jogos, 27 vitórias, 8 empates e 11 derrotas – 103 gols marcados e 58 gols sofridos
2,23 gols marcados por jogo / 1,26 gols sofridos por jogo
2005 – Corinthians
42 jogos, 24 vitórias, 9 empates e 9 derrotas – 87 gols marcados e 59 gols sofridos
2,07 gols marcados por jogo / 1,40 gols sofridos por jogo
2006 – São Paulo
38 jogos, 22 vitórias, 12 empates e 4 derrotas – 66 gols marcados e 32 gols sofridos
1,73 gols marcados por jogo / 0,84 gols sofridos por jogo
2007 – São Paulo
26 jogos, 17 vitórias, 6 empates e 3 derrotas – 40 gols marcados e 8 gols sofridos
1,53 gols marcado por jogo / 0,30 gols sofrido por jogo

comentado em September 17th, 2007 at 8:58 am
comentado em October 2nd, 2007 at 9:35 pm